Prêmio Portugal Telecom de Literatura
em Língua Portuguesa anuncia os 12 finalistas
(SP, 2 de outubro de 2012) – Foram anunciados hoje os 12 finalistas da 10ª edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Pela primeira vez, os concorrentes foram avaliados e votados separadamente, em três categorias: poesia, romance e conto/crônica.
Na categoria romance, o estreante Bernardo Kucinski, com seu primeiro romance K. está ao lado de nomes que representam um sopro renovador na literatura, como Michel Laub, com Diário da queda; Julián Fuks, com Procura do romance e o português Valter Hugo Mãe, com A máquina de fazer espanhóis.


Edilson Martins: editorial em O GLOBO
31/03/2013
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“A cegueira segundo Julián Fuks”
entrevista publicada no dia 24 de agosto de 2011 no Diário de Pernambuco.
Personagens contemporâneos e questões universais
de Camila Lamha - site da Secretaria de Cultura-RJ (www.culturarj.gov.br) - 21. 05. 2012
A jornalista Cleusa Maria faz sua estreia na ficção adulta com romance de narrativa densa e forma estruturada
Dando voz a seus personagens, a escritora descola-se de sua realidade, tirando uma folga de si. É assim que Cleusa Maria justifica a sua experiência literária, articulando a ideia de que o texto de ficção lhe permite ir de encontro a mundos paralelos. A jornalista tarimbada, que trabalhou em várias redações do Rio, incluindo a do Jornal do Brasil, aventura-se em seu primeiro romance voltado para o público adulto, com o livro Regente Plutão. Com lançamento marcado para esta terça-feira, dia 22/5, na Mini Book Store, na Casa de Cultura Laura Alvim, a obra é pintada como uma tragédia urbana contemporânea.
Na história, quatro personagens expõem seus conflitos, angústias e desejos, às vésperas do Ano Novo, em uma narrativa de reflexão não convencional. “A ideia da trama do livro surgiu na época em que as salas de bate-papo virtuais tinham a mesma energia e aderência do facebook de hoje em dia. Queria criar uma história em que os personagens se encontrassem no mundo virtual e se desencontrassem no real”, explica Cleusa, que concebeu o enredo do seu romance na virada do século 21 e desenvolveu o texto, mexendo e remexendo, ao longo de dez anos.
Tragédia urbana
A autora, que estreou como escritora em 2005 com o sucesso infanto-juvenil A menina que não viu o fim do mundo, conta que escreve desde menina, quando ainda morava em Dores do Indaiá, interior de Minas Gerais. “Comecei ainda pequena e mantive o hábito por toda a minha vida. Escrevo porque preciso, sem pieguices”, afirma. “Paralelamente à minha carreira de jornalista, sempre tive minhas gavetas guardadas de literatura”, acrescenta.
O apreço quase obstinado à estrutura formal do texto faz de Cleusa uma romancista precisa. “A narrativa de Regente Plutão trabalha em várias vozes: às vezes monólogos, outras vezes em terceira pessoa. O livro tem uma estrutura complexa, dividida em três partes. Se passa no Rio de Janeiro, na Zona Sul, mas tem personagens contemporâneos e questões universais. É um texto bastante reflexivo, em que a ação é a reflexão. Não é uma narrativa convencional”, observa. “Escrever o livro foi um processo muito trabalhoso. Ele tem uma sofisticação da linguagem, porque sou uma pessoa que gosta de um trabalho pela linguagem, de formas de narrar”, completa.
A profissão de jornalista permitiu a Cleusa ampliar seu universo de vivências e enriquecer seu acervo de histórias como escritora. “Como jornalista, desenvolvi minha carreira na época em que o Jornal do Brasil vivia um grande momento. Pude adquirir muitas referências no mundo da arte e da música, conheci muitas pessoas e viajei muito. O jornal me deu uma cultura da informação, uma cultura de reserva”, conta. Com relação à abordagem do livro, Cleusa é categórica ao afastar a influência da redação jornalística em seu texto. “A linguagem jornalística do livro é zero, é plena construção literária”, conclui.
Editado pela Record, Regente Plutão chega às livrarias com uma narrativa de densidade poética e questões perturbadoras. A noite de lançamento da obra conta, a partir das 19h30, com leituras de trechos com Henri Pagnoncelli e Dayse Pozato, seguidos por momentos de autógrafos com a autora. Cleusa Maria trabalha em dois outros romances já esboçados, que estão apenas à espera de ajustes de fermento literário.
- Edição de maio do jornal Relevo, impresso mensal literário editado em Curitiba.


Leituras na Laura
Evento realizado na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, Rio de Janeiro, 28/08/2012
FORUM DAS LETRAS DE OURO PRETO
Cleusa Maria estará em 2 de junho no Fórum das Letras de Ouro Preto, promovido pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) com a intenção de promover o diálogo entre autor e público, além de valorizar a importância da cidade, Patrimônio Cultural da Humanidade.
Literatura em cena: Origens míticas na Criação Literária
Cleusa Maria, Simone Homem de Mello, Evando Nascimento
Mediação: Alessandra Vannucci
15 h. Local: Cine Vila Rica
- Pesquisa aponta que leitores digitais exigem menos esforço dos idosos

Autores optam pela autopublicação e aumentam seus lucros Por LESLIE KAUFMAN (Folha de SP, 29/04/2013)
Quando em 2011 o premiado escritor e dramaturgo David Mamet lançou "The Secret Knowledge: On the Dismantling of American Culture" [O conhecimento secreto: sobre o desmanche da cultura americana], pela editora Sentinel, a obra chegou à lista de best-sellers do "New York Times".
Neste ano, ao preparar o lançamento de um novo livro que reúne uma novela e dois contos sobre a guerra, Mamet optou por um caminho muito diferente: decidiu que irá se autopublicar.
Mamet está aproveitando um novo serviço oferecido por sua agência literária, a ICM Partners, como forma de ter mais controle sobre a promoção do seu livro.
"Basicamente, estou fazendo isso porque sou muquirana", disse Mamet, "e porque o setor editorial é como Hollywood -ninguém nunca faz o marketing que promete".
A autopublicação -que inclui a distribuição digital e a impressão sob demanda- está se popularizando, mas até agora as atenções se voltam principalmente para autores sem contrato com editoras, que graças à própria engenhosidade cavam um lugar nas listas de best-sellers.
O anúncio da ICM e de Mamet sugere que a autopublicação irá começar a se tornar atraente para autores mais estabelecidos. Mamet escreveu a premiada peça "Sucesso a Qualquer Preço" e muitos roteiros, incluindo o de "Os Intocáveis".
Autores autopublicados não recebem adiantamentos, mas geralmente ficam com 70% do valor das vendas. Um contrato padrão com editoras tradicionais garante um adiantamento ao autor mais uma participação -o habitual é 25% sobre as vendas digitais e 7% a 12% do preço de lista de livros encadernados, depois que o adiantamento é ressarcido pelas vendas.
Desde o ano passado, o Trident Media Group, que representa 800 autores, oferece a seus clientes possibilidades de autopublicação em contratos negociados por intermédio de editoras on-line, como Amazon e Barnes & Noble. Robert Gottlieb, presidente da Trident, disse que 200 autores já se beneficiaram do serviço, embora a maioria o use para relançar títulos mais antigos.
Sloan Harris, codiretor do departamento literário da ICM, disse que sua agência firmou contrato com uma empresa chamada Argo Navis Author Services, um serviço de autopublicação criado pelo Perseus Book Group, porque achou que era hora de dar aos seus clientes mais opções além das grandes editoras tradicionais. "Para autores que andavam frustrados", disse Harris, "a autopublicação devolve um grau de controle sobre como ideias de marketing e publicidade são usadas". Tanto Harris quanto Mamet dizem que as grandes editoras priorizam livros de grande sucesso em detrimento de outros títulos -dos quais publicam poucos exemplares, por exemplo, ou limitam a publicidade a um curto período de tempo após o lançamento.
Embora Mamet seja o mais conhecido cliente da agência a usar o novo serviço, ele não é o único: dois livros mais antigos de clientes da ICM serão relançados dessa forma: "Searching for Bobby Fischer" [Procurando Bobby Fischer], de Fred Waitzkin, e "Ghosts of Mississippi" [Fantasmas do Mississippi], de Maryanne Vollers.
Mas se um autor se autopublica, qual é então a função de uma agência literária? Gottlieb, da Trident, diz que faz sentido para seus clientes usarem a agência, que cobra uma comissão padrão sobre as vendas, porque a agência tem experiência em marketing e criação de sobrecapas. Ela também tem relações com as editoras digitais, que dão aos seus clientes uma visibilidade nos sites que autores autopublicados não conseguem.
Vista antigamente como um afago no ego de autores que não conseguiam contratos com grandes editoras, a autopublicação representa atualmente mais de 235 mil livros por ano, segundo a Bowker, empresa de pesquisas do mercado editorial. Grandes editoras, como Penguin e Harlequin, abriram divisões de autopublicação por verem nisso um futuro centro de lucros.
A vasta maioria dos livros autopublicados jamais terá um grande público, mas os títulos autopublicados já representaram quase um quarto das obras mais vendidas no ano passado na Amazon, segundo a empresa.