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Maria Inez do Espírito Santo, educadora, psicanalista e escritora, encontrou um estilo próprio de trabalhar, em que a cultura é ao mesmo tempo o instrumento e o objeto de um fazer clínico. A educação que respeita as diferenças individuais é um tema que a mobiliza desde a juventude e que norteou, a partir de 1973, uma experiência pedagógica pioneira de inclusão escolar, quando criou (e dirigiu por 16 anos) a Escola Viva, em Petrópolis-RJ.

 

Vivendo atualmente entre o Rio de Janeiro e Itaipava, ela coordena Grupos de Leitura e Reflexão, além de promover Oficinas onde, através de contos, lendas e especialmente dos mitos indígenas brasileiros, propõe o desenvolvimento do autoconhecimento como chave para a autonomia humana.

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Livros



Ademais de trabalhos publicados em anais de congressos e revistas especializadas, é autora dos seguintes livros:



- Ceiuci, a velha gulosa (Escrita Fina, 2012)



- Com gosto de terra natal (Ao Livro Técnico, 2012)



- Enquanto papai não volta  (Escrita Fina, 2012)



- Vasos Sagrados: mitologia indígena brasileira e o encontro com o feminino (Ed. Rocco, 2010)

“Resultado de oito anos de elaboração, acredito que “Vasos Sagrados” seja uma parte de minha quota de retribuição aos indígenas, pela riqueza que deles recebi através de seus mitos, e, ao mesmo tempo, uma forma de continuar contribuindo para a aproximação dos diferentes saberes universais, com a finalidade de geração contínua de uma forma de vida mais plena  de sentido e de satisfação para todos os seres humanos".

MARIA INEZ DO ESPÍRITO SANTO

Sinopse de Ceiuci, a velha gulosa


Recolhida junto a um tuxaua (chefe de tribo) dos Anambés no norte paraense, em 1865, pelo folclorista Couto Magalhães, e publicada em 1876 n’O selvagem, a lenda de Ceiuci traz um belo ensinamento sobre como levar a vida: fugindo ou enfrentando os problemas que cruzam nosso caminho? O que, aliás, remete, segundo o próprio Magalhães, às narrativas mitológicas de Hércules e Ulisses, marcadas por obstáculos e peregrinações.


Recontada aqui com o olhar e a sensibilidade de Maria Inez do Espírito Santo, esta fábula tribal conta a história de um indiozinho que saiu para pescar e acabou virando alvo da Velha Gulosa, que come tudo que vê pela frente: bicho, gente e até — muito cuidado para não perder os dedos, leitor! — livro com lenda indígena.


Pego pela Ceiuci, o índio é salvo pela força do amor, dando início a uma fuga interminável da gula fatal da Velha faminta. E, se não fossem por eventuais mãos amigas — ou melhor, patas e asas amigas —, o curumim certamente seria devorado. Tanta corrida, preocupação e medo não deixaram que ele percebesse a passagem do tempo.


Quando, enfim, se dá conta, encarando seu reflexo nas águas do rio, ele já não é indiozinho, mas um velho índio. Que muito viveu e nada viveu correndo do iminente perigo. Uma fuga da vida e das eventuais dificuldades. Fugiu tanto da Velha e esqueceu não poder escapar da velhice. Cansado e sozinho, onde encontrará segurança, repouso, abrigo, e, finalmente, colo, se o amor ficou para trás, os amigos foram passageiros e não existe mais um lugar para chamar de ninho?

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